CARTAS SOBRE O TEMA DA SAUDADE INVADEM AS RESIDÊNCIAS DO BAIRRO DA SAUDADE, EM BELO HORIZONTE

por auraandrade13

Moradores do bairro belo-horizontino são surpreendidos com correspondências que devem ser entregues na rua Juramento, na própria região

Em meados do meses de março e maio, as residências do bairro da Saudade, em Belo Horizonte, foram invadidas por correspondências um pouco diferentes das costumeiramente recebidas pelos moradores. As cartas, escritas à mão, sem remetente claro e apenas com destinatário, tratavam de um tema bem próximo dos moradores de um bairro que cresceu contagiado pela presença da morte, o tema da saudade. Desenvolvido a partir da criação da segunda necrópole mais antiga da cidade, o cemitério da Saudade, o bairro de mesmo nome abriga em sua paisagem inúmeras imagens de morte, que vão desde aquelas que formam o cemitério até as provenientes dos inúmeros velórios e cortejos fúnebres que acontecem no local diariamente, imagens estas relacionadas de modo direto ou não à temática da saudade. Indagada a respeito do nome do bairro, a moradora Maria dos Anjos, 51, residente na região desde 1994 afirma : “Muitos moradores daqui enterraram seus mortos no cemitério, então para nós, vivemos literalmente no bairro das Saudades”.

Uma média de 80 residências do bairro receberam a carta que conta com duas versões, uma repleta de lacunas que dividem as partes do texto, e outra com o texto da primeira versão acrescido de trechos que complementam os espaços em branco da primeira versão. Em ambas, a remetente aborda de modo poético os motivos de suas saudades e conclama os moradores do bairro a dividir com ela “suas imagens desbotadas pelo tempo.”

Aproveitando-se do potencial poético da palavra que dá nome ao bairro e da história da região, várias cartas foram distribuídas nas residências do Saudade por uma remetente que se auto define como “Colecionadora de Saudades.” Uma média de 80 residências do bairro receberam a carta que conta com duas versões, uma repleta de lacunas que dividem as partes do texto, e outra com o texto da primeira versão acrescido de trechos que complementam os espaços em branco da primeira versão. Em ambas, a remetente aborda de modo poético os motivos de suas saudades e conclama os moradores do bairro a dividir com ela “suas imagens desbotadas pelo tempo.” Na carta, a autora afirma que colecionar saudade é o único motivo que tem dado sentido a sua vida nos últimos anos e finaliza seu texto com um pedido direcionado aos moradores do bairro: “Se você ou alguém de sua família tem em mãos esse apelo, por favor me escreva, compartilhe comigo suas ausências. Sua resposta a apenas uma pergunta me é suficiente: e você, do que você sente saudades?” Segundo indicação presente na carta, as respostas devem ser entregues na Rua Juramento, no 32, no próprio Bairro da Saudade.

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